Esta modalidade de pesca em barragem lago e rio é sem dúvidas a melhor técnica para iniciação de pesca à bóia e em aguas doces. Esta modalidade consiste numa pesca com uma cana sem carreto nem passadores… a linha fica presa na extremidade da vara num dispositivo que encaixa na cana mas não está preso a esta, está sim preso a um elástico por dentro da cana que vai deste dispositivo até ao fim da cana que serve para trabalhar o peixe assim que ferrado de modo a proteger um pouco o carbono da cana em situações de altas tensões. O fio será preso a esse dispositivo e depois a montagem é feita com uma bóia normalmente entre 0.3 até 1.5 gramas.

Antes de iniciarem este tipo de pesca convém adquirir o material básico: cana, linha principal, estralhos (tenso), chumbos (pesos) para calibragem bóia, sonda em chumbo, banco ou panier, balde para engodo, engodo,  isco, anzóis, fisga, recipientes para vários tipos de iscos, manga, xalavar, entre muitos outros mas estes serão os principais para garantir uma pesca de sucesso.

Antes de iniciarmos a situação de pesca temos de fazer uma avaliação do pesqueiro, convém sempre antes de escolher o pesqueiro analisar vários fatores: estado do tempo, tipo de água (cristalina; barrenta; com corrente; parada etc…), direção e intensidade do vento, fios de alta voltagem se utilizarmos materiais condutores de electricidade, profundidade do pesqueiro, tipos de peixe e o seu defeso, habitat e fauna locais, espaço em redor do pesqueiro se tem ou não obstáculos dentro e fora de agua (ramos árvores lixo pedras rochas paus etc…) estes são os fatores mais importantes.

 Profundidade:

Assim que escolhemos um pesqueiro com as mínimas condições de pesca começamos por verificar a profundidade do pesqueiro, se quisermos ser rigorosos fazemos 3 ou 4 pesquisas para conhecer o tipo de fundo por exemplo entre os 3/4 metros; 6/7 metros e 10/11 metros…. Para sabermos a profundidade colocamos a sonda de chumbo presa no anzol da montagem já feita e deixamos ir ao fundo com uma cana de 3 metros , se a bóia for ao fundo quer dizer que a fundura será maior que a distancia entre a bóia e o anzol, logo temos que subir a bóia, se ficar deitada temos que diminuir essa distancia e assim sucessivamente ate a bóia ficar quase á tona para pescarmos perto do fundo que é onde trabalha o engodo, mas a distancia pode variar consoante a distancia da berma por isso pode ser mais ou menos fundo, eu costumo fazer estas 3 distâncias . A sonda ajuda também da deteção de obstáculos no fundo e sempre é mais difícil de prender já que o anzol não fica exposto.

Engodagem:

Antes de mais a utilização de engodo nesta modalidade é muito importante porque ou acertamos em cheio num pesqueiro onde abunda muito peixe e em atividade ou o sucesso sem engodo vais ser muito menor… Existem inúmeros tipos de engodo… não vou estar a recomendar nenhum em especial mas talvez para iniciação um engodo geral para bogas e barbos ou carpa, para fazer o engodo recomendo que o façam com calma e sempre a juntar agua aos poucos queremos a massa minimamente consistente para formar bolas do tamanho de bolas de golf ou no máximo de bolas de ténis… vai se juntando e amassando e juntando a agua ate conseguir essa consistência, depois lançamos o engodo para a distancia que vamos pescar, por exemplo se pescarmos a 6 metros aconselho lançar a boia e depois lançar o engodo ligeiramente antes da bóia para não corrermos o risco de engodar mais longe do que realmente estamos a pescar também temos que ter em conta a corrente se correr para a direita temos que lançar ligeiramente para a esquerda e assim sucessivamente. Podemos juntar algum asticô ao engodo ou formar bolas deste com cola que serve para eles ficarem colados e fazer bolas como o engodo. Depois de engodar o processo de ativar e despertar o peixe para entrar no frenesim de comer podemos iniciar a pesca, mas só ao fim de alguns minutos 30min é que o engodo fica a funcionar. Convém não esquecer de engodar sempre com frequência para não deixar de ter o engodo a trabalhar e manter o peixe no pesqueiro ou continuar a chama-lo.

Ação de pesca:

A pesca à bóia revela alguma técnica e experiência começando na montagem e  iscada passando pelo lançamento até á ferragem… Eu com os muitos anos de pesca à bóia na minha opinião conseguimos evoluir rapidamente em todas as áreas mas existe uma que é a mais difícil de adquirir, mas depois de a controlar o resultado final da pesca será sempre mais positivo, essa técnica é a ferragem e controlo da bóia, ou seja, temos que manter na bóia uma leve resistência ou tensão para não deixar a linha muito bamba ou solta para assim que a bóia afundar termos uma ação mais rápida na ferragem mas do mesmo modo não podemos colocar demasiada tensão ou resistência no movimento da bóia porque em contrário estaremos a retirar o movimento normal da agua ou fazemos movimentos bruscos com a bóia faz com que o isco se mexa de forma estranha e para alem disso temos uma ferragem demasiado rápida e por vezes o peixe ainda não está a modo de ferrar…

Muito importante avaliarmos as condições atmosféricas porque a escolha do material é muito importante para nos facilitar a ação de pesca, por exemplo se tiver vento temos que escolher uma bóia mais oval e com mais peso e menos comprida para trabalhar melhor na ligeira ondulação do vento e no lançamento. As vezes não queremos mudar ou o tamanho do anzol ou a bóia e a montagem a cana e a distancia que pescamos etc… quando não estamos a ter sucesso podemos tentar modificar alguns pormenores e as vezes a “sorte” muda e chagamos á conclusão que faltava aquele pormenor… pois na pesca todos os fatores (“ingredientes”)  são importantes pois se faltar um pode neutralizar o sucesso da missão.

Lembro que nesta modalidade convém fazer as montagens das canas antes de ir para o rio podemos utilizar um recipiente para calibrar as bóias em casa e existem artigos para colocar as montagens das diferentes canas que vamos utilizar. Assim sempre ganhamos tempo e em casa temos melhores condições de visibilidade meteorológicas e podemos ser mais minuciosas e cuidadosos a fazer as montagens.